Mesmo mantendo a liderança no mercado de streaming por assinatura, a Netflix busca novas formas de aumentar o tempo que os usuários passam na plataforma. Segundo o The Wall Street Journal, a empresa discute mudanças que podem aproximar seu serviço da experiência tradicional da TV, incluindo canais com programação contínua e a oferta de assinaturas de outras plataformas dentro do próprio aplicativo.
O tema ganhou destaque nas reuniões internas da companhia após executivos identificarem uma desaceleração no engajamento dos assinantes. Embora os resultados financeiros continuem positivos, com crescimento dos lucros e baixa taxa de cancelamento de clientes, a empresa passou a tratar o tempo de consumo de conteúdo como uma prioridade estratégica.
Netflix quer manter usuários engajados
No mercado de streaming, o engajamento é um dos principais indicadores de retenção de assinantes. Quanto mais tempo os usuários assistem a filmes e séries e quanto maior a taxa de conclusão dos conteúdos, menor a probabilidade de cancelamento da assinatura.
Entre as alternativas em discussão está a criação de canais lineares, que transmitiriam determinados programas ou conteúdos organizados por gênero de forma contínua – parecida com a TV tradicional.
Outra possibilidade é permitir que assinantes contratem serviços de streaming de outras empresas diretamente pelo aplicativo da Netflix, modelo já adotado por concorrentes como Amazon e Apple.

Mudança de estratégia
Caso as mudanças avancem, elas representarão uma transformação significativa na estratégia da empresa. Durante anos, a Netflix priorizou uma plataforma focada exclusivamente em seu próprio catálogo e em uma experiência simplificada de navegação. Agora, diante de um mercado mais competitivo, a companhia parece disposta a ampliar esse modelo.
A pressão também vem do cenário da indústria. Além da concorrência de plataformas como Disney, HBO Max e YouTube, serviços gratuitos com publicidade e canais lineares vêm conquistando espaço entre os consumidores.
Nos últimos anos, a Netflix também flexibilizou posições que antes defendia. Um exemplo foi a criação do plano com anúncios, inicialmente rejeitado pela empresa, mas que hoje faz parte de sua estratégia de crescimento.
A preocupação dos investidores também aumentou após surgirem informações de que a companhia teria avaliado a compra da Warner Bros. Discovery. Embora o negócio não tenha avançado, o episódio levantou dúvidas sobre o ritmo de crescimento da plataforma.
Para Uday Cheruvu, gestor de portfólio e analista da Harding Loevner, o principal ponto de atenção é o comportamento dos assinantes diante dos sucessivos reajustes de preço e da possibilidade de o engajamento ter atingido um limite em mercados mais maduros, como os Estados Unidos. Ele falou ao WSJ.
Enquanto estuda mudanças estruturais, a Netflix também vem ampliando sua oferta de conteúdos de menor custo:
- A plataforma passou a investir em formatos como podcasts em vídeo e vídeos curtos produzidos por editoras;
- Outra frente de expansão envolve parcerias com emissoras de televisão. Na França, a empresa já oferece aos assinantes acesso à programação da TF1, incluindo telejornais;
- Os eventos ao vivo também permanecem no radar. A companhia busca ampliar sua presença nesse segmento, mas sem entrar na disputa pelos direitos das principais ligas esportivas. De acordo com pessoas familiarizadas com as negociações, executivos discutem propostas relacionadas às Copas do Mundo de 2030 e 2034.
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